As quatro portas da cobertura de saúde
Nos Estados Unidos quase toda a cobertura vem de um destes quatro lugares. Saber qual é o seu poupa semanas olhando planos que você nem sequer pode contratar.
- Seu emprego. Se seu trabalho oferece um plano considerado acessível e adequado, essa costuma ser sua via, e normalmente você não tem direito a ajuda para comprar por conta própria.
- O Marketplace. Os planos da lei de saúde, com crédito fiscal conforme sua renda e o tamanho do seu domicílio. É a porta de quem trabalha por conta própria ou não tem plano no trabalho.
- Medicare. O programa federal para pessoas de 65 anos ou mais e para algumas pessoas mais jovens com certas deficiências. Tem seu próprio calendário e suas próprias regras.
- Medicaid e CHIP. Programas para renda baixa, administrados por cada estado. Os requisitos mudam de um estado para outro e dá para solicitar em qualquer momento do ano.
A confusão que mais tempo custa
Medicare e Medicaid soam quase igual e não têm nada a ver: um vai por idade e o outro por renda. Há pessoas que preenchem os requisitos dos dois ao mesmo tempo, e isso também dá para aproveitar.
As datas: quando você pode contratar e quando não
A cobertura de saúde não se contrata em qualquer dia do ano. Cada porta tem sua janela, e fora dessa janela só se entra com um motivo reconhecido.
No Marketplace existe um período aberto anual. No Medicare existe um período inicial ligado ao seu aniversário de 65 anos e uma temporada anual de mudanças. O Medicaid é a exceção: solicita-se a qualquer momento.
- Evento de vida. Perder a cobertura do trabalho, casar, ter um filho ou mudar de estado abrem um período especial para se inscrever fora do prazo.
- O prazo corre. Esse período especial dura um número limitado de dias desde o evento. Não é indefinido.
- Guarde o papel. Quase sempre é preciso comprovar o evento com um documento, então convém não jogar fora a carta da seguradora nem a certidão.
Se você acabou de perder seu plano
Esse é justamente o momento de ligar, não daqui a dois meses. Perder a cobertura do trabalho abre uma janela específica e limitada, e desde o primeiro dia dá para começar a olhar opções para que nenhum mês fique descoberto.
Os três números que decidem quanto você paga
Um plano de saúde se compara com três valores. Qualquer folheto que só te mostre o primeiro está te mostrando metade da história.
- O prêmio. O que você paga todo mês, tenha gastos médicos ou não. É o único que aparece na publicidade.
- A franquia. O que você precisa gastar antes de o plano começar a pagar a maior parte. Um prêmio baixo quase sempre traz uma franquia alta.
- O teto de gasto. O limite do que você pode chegar a pagar em um ano por serviços cobertos dentro da rede. É sua proteção real diante de um ano ruim.
Existe um quarto elemento que não é um número mas decide igual: a rede. Um plano só funciona bem se seus médicos e seu hospital estiverem dentro, e isso se confere pelo nome antes de assinar, não depois.
Como escolher sem adivinhar
Se você vai pouco ao médico, um prêmio baixo com franquia alta costuma dar certo. Se você tem tratamento, medicamentos ou uma gravidez prevista, olhe primeiro a franquia e o teto de gasto, porque é ali que de fato se ganha ou se perde dinheiro.
O que se vende como seguro de saúde e não é
Esta é a parte de que menos se fala e a que mais desgosto dá. Existem produtos legais que se anunciam com a linguagem de um seguro de saúde e não cobrem o que as pessoas dão como certo.
- Planos de curto prazo. Duram um tempo limitado, podem te recusar pelo seu histórico e não são obrigados a cobrir condições preexistentes nem todos os benefícios essenciais.
- Planos de indenização fixa. Pagam um valor estabelecido por evento, por exemplo por dia de hospital. Funcionam como complemento, não como sua única cobertura.
- Planos de desconto. Dão acesso a preços reduzidos. Não há seguradora que cubra uma porcentagem por você.
- Programas de rateio de despesas. Não são seguros e não estão sujeitos às mesmas regras nem garantias. O que se paga depende das normas do próprio programa.
Nenhum é golpe, mas nenhum substitui
Todos estes produtos têm seu lugar quando são usados como complemento e sabendo o que são. O problema aparece quando alguém os apresenta como se fossem seu plano de saúde principal. Se te oferecerem um, a pergunta é simples: cobre condições preexistentes e tem teto de gasto?